terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Difícil de entender

"(...) O meu mundo não é como o dos outros; quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!"


Florbela Espanca

sábado, 29 de janeiro de 2011

Acerca do invisível

Disfarço-me nos avesssos de mim mesma
revelando um reverso que se faz oposto à quem observa
E tudo fala...
o máximo múltiplo incomum é o que se pode contar
é o agora, o aqui, nada mais...
Libido à solta em favo e mel
 a ser entregue feito um presente a ser desembrulhado sem pressa...
Nada mais habita a minha geografia a não ser a surpresa do inesperado...
E à medida que me solto, me liberto, me desenraizo
Posso sentir lançando-me pelos caminhos da minha imaginação
atravessando fronteiras e dissolvendo barreiras
Só assim invento minhas diferenças
Minha imaginação voa longe
Tanto posso me encontrar como posso me perder
me reafirmar e me modificar mil vezes
E, não sei de onde vem essa neblina que me confunde...
Mesmo assim, me moldo em fatura única
cerrada, coesa e coerente para com o apelo imprescindível do meu sonhar! 

©Carmem Gomes 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sedução

E, nesse ritmo a que me encontro
ainda terei tempo de dançar em algum labirinto da alma
e me deixar seduzir por esse tempo que só murmura
que é só silêncio e pensamentos 
E, como a conduzir tentações
me sinto voraz por breves instantes
disfarçada em mil encantos e mistérios
acesa ao mundo
exposta ao insondável
arriscando-me em abismos
a provocar todos os meus sentidos
Para só assim, selar aos quatro ventos
o quanto é necessário se deixar seduzir
pela simples aventura de viver
no tempo, no sonho!

©Carmem Gomes 

Dia Branco...

Percebo-me distraída
Entretida
Um pouco desatenta talvez
num silêncio calmo que vem da alma
feito Dia Branco de uma canção
("...se você vier pro que der e vier comigo...eu lhe prometo o sol...")
àquele que surge te trazendo todas as promessas
e você curiosa, se deixa embalar por essa onda calma
promessa às avessas que contraria todas as propostas
e todas as nossas cartas de intenções
assim simples e belos...
Esses dias me levam a ficar...a me deixar ficar nesse remanso lento!
Às vezes é importante
Às vezes são as nossas escolhas
Na realidade de tudo sou uma turista vivendo cada experiência
me moldando à cada canção do tempo
Um tempo de liberdade cheia de condições
E quer queira ou não,  Navegar é preciso
Viver também!
Assim me percebo..assim me sinto!

©Carmem Gomes 

Para você minha amiga Amanda Santos, respondendo pela a ausência das palavras!!!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Disfarces

Quem sabia por que?
Das vezes que preciso ficar à margem
à espreita do inusitado
defronte de mistérios guardados, escondidos em incontidos disfarces!
Como entender essa forma de imaginar-se ininterrupta?
Sem vendas
Sem dominios
Sem fronteiras?
Parecendo viver o que fora antevisto sem disfarces
 muitas vezes por uma espécie de percepção..
múltipla de mim e trazida à luz.
Com olhos pra ver quem queira!

©Carmem Gomes 

Metamorfose de mim

Embora em mim permaneça esse estado de serenização
minhas inquietações fervilham intimamente
e se transcorre da vivência do meu cotidiano
coisas minhas, percepções a construir em diferentes planos,
diversas experiências e desejos
compreendidos de uma forma a sempre estar a  procurar o próximo trampolim
sempre pronta pra saltar
sempre pronta pra revelar-me
A surpresa. O inesperado. O alumbramento do encoberto
Do vedado
Sempre a querer o impossivel
trazendo à luz os meus incontidos disfarces
Sempre a metamorfosear-me quando instigantemente provocada!
Nada mais que isso...
são os meus avessos atravessados e múltiplos
desafiando feito um rasgo libertário
próprio de quem não se deixa aprisionar
e se fazem livres em eternos dribles ao senso comum!

©Carmem Gomes

Instantes retidos

Instantes...
o tempo de um voo breve,
um rápido movimento no ar a fazer piruetas
sorvendo devagar o gostinho profundo de sair de mim mesma...
Tudo muito rápido...sem tempo pra permanecer
Bom mesmo seria reter meus vértices em pequenos bocados
construir a minha realidade
articular meus diferentes caminhos em um só
E...numa espécie de serenização de viver
instantes antes tão fugidios mantenha-se fiel a força de um querer marcante
a uma vontade inquietante e que me deixa perplexa
sempre a me testar sem escolhas...

Mais uma vez fico à espera!

©Carmem Gomes