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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

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Transfere de ti para mim essa dor de cabeça,
esse desejo, essa violência.

Que careça em ti o meu excesso
e que me falte o que tu tens de sobra.

Que em mim perdure o que te morre cedo
e que te permaneça o que tenho perdido.

Que cresça, se desenvolva um teu sentido
que em mim desapareça.

Dá-me o que de possuir tu não te importas
e eu multiplico o que te falta e em mim existe
para que nosso encaixe forme uma unidade -indivisível-
que não se possa subtrair uma metade.

Bruna Lombardi

sábado, 20 de março de 2010

Arremesso

Porque despertar em mim esse animal

alucinado. Animal de olhos de fogo.

Selvagem e louco. Esse animal acuado

que perde sangue no jogo.

Essa fera que te ataca e te resiste.

Que por pouco não te mata.

Ah, essa desenfreada que me existe

e me devora. Porque despertá-la agora

já que há tanto vinha adormecida.


Porque assustá-la assim em meio ao sono.

Porque arrancá-la bruscamente de seu sonho

e transportá-la de repente para a vida.

Porque despertar em mim essa cavala doida

que vai te galopar de corpo inteiro.


Enlouquecida que vai se ferir em meio ao trote.

Porque atiçar esse bicho

que nessa luta vai morrer primeiro.

Que vai morrer de fome, de grito, de garganta enxuta,

de tanta entrega. Dilacerado de tanta força bruta.


Porque despertar essa besta que me habita

que se torna cruel e desumana quando aflita.

Porque gritar com ela no silêncio de um sono branco

em que já vinha há tanto.

Porque provocá-la em meio ao espanto.


Bruna Lombardi