Mostrando postagens com marcador Maria do Rosário Pedreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria do Rosário Pedreira. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Nossas fragilidades

Saio da cama pela fenda do lençol e fecho-a sobre ti.
Toco o chão de leve, como uma ave pousa na pele das ondas.
Visto-me às escuras — tão mais discreta a blusa do avesso,
a saia tão distraída nas costuras.
Vou para a cozinha de sapatos na mão e escrevo-te um bilhete:
deixei-te um beijo sobre a tua almofada antes de sair.
Não preciso assinar.

Maria do Rosário Pedreira

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Síntese de uma escolha

Não digas ao que vens.
Deixa-me adivinhar pelo pó nos teus cabelos que vento te mandou.
É longe a tua casa?
Dou-te a minha: leio nos teus olhos o cansaço do dia que te venceu;
e, no teu rosto, as sombras contam-me o rosto da viagem.
Anda, vem repousar os martírios da estrada
nas curvas do meu corpo — é um
destino sem dor e sem memória.
Tens sede? Sobra da tarde apenas uma
fatia de laranja — morde-a na minha boca sem pedires.
Não, não me digas quem és nem ao que vens.
Decido eu.

                                    Maria do Rosário Pedreira